Repercussões do Suicídio

//Repercussões do Suicídio

Repercussões do Suicídio

Suicídio é tirar a própria vida, claro. Porém esta frase contém muito mais do que a “simples desobediência às Leis de Deus”.

Quando estamos no mundo espiritual, planejamos, junto com nossos orientadores, a nossa encarnação. Na maioria das vezes, escolhemos passar por determinados sofrimentos para nosso próprio aperfeiçoamento moral, resignação e entendimento.

Fica combinado o número de anos que iremos permanecer na Terra. Devido a isto, carregamos no nosso corpo astral um quantum de energia vital que dure o tempo combinado. Normalmente ao envelhecermos, esta energia vai se esvaindo e ocorre a morte natural.

Quando damos fim a própria vida, desencarnamos com reservas dessa energia, que ficam impregnadas no períspirito.  Desta forma o espírito fica ligado ao corpo físico, sentindo tudo o que acontece com o corpo, incluindo a decomposição. A visão perturbadora da hora da morte se torna uma ideia fixa, com todas as sensações do momento final.

Por isso temos tantos relatos que o suicida fica sangrando ou sentindo a dor que ele próprio causou, durante o tempo que tiver energia vital, o que quer dizer, durante os anos que deveria estar encarnado na Terra.

Os suicidas geralmente vão para um local conhecido como o Vale dos Suicidas, até que dali tenham condições de sair.

Segue um trecho do livro “Memórias de um Suicida”, de Yvone A. Pereira:

“Entre outras observações levadas a efeito, merece especial comentário… o fato de todos trazermos pendentes na configuração astral, quando ainda no Vale, fragmentos reluzentes, como se de uma corda ou cabo elétrico arrebentados se desprendessem estilhas dos fios tenuíssimos que os estruturassem, sem que a energia se houvesse extinguido, ao passo que explicavam os mentores residir em tão curioso fenômeno, toda a extensão da nossa desgraça, porquanto este cordão, pela morte natural, será brandamente desatado, desligados das afinidades que mantem com o corpo carnal… enquanto que pelo suicídio, é ele violentamente despedaçado e, o que é pior, quando as fontes vitais, cheias de seiva para o decurso de uma existência, às vezes longa, ainda mais o solidificavam mantendo a atração necessária ao equilíbrio da mesma.”

Somando-se a isto, o fato de estar espiritualmente destroçado, o suicida não tem paz. Engana-se aquele que pensa que, com a morte, acabam os problemas e sofrimentos.

Muito pelo contrário, os sofrimentos são tantos, que nossa mente humana não consegue sequer imaginar. Vamos a mais alguns trechos do livro, para exemplificar:

“…fora eu surpreendido com meu aprisionamento em região do Mundo Invisível cujo desolador panorama era composto por vales profundos, a que as sombras presidiam: gargantas sinuosas e cavernas sinistras, no interior das quais uivavam, quais maltas de demônios enfurecidos, Espíritos que foram homens, dementados pela intensidade e estranheza, verdadeiramente inconcebíveis, dos sofrimentos que os martirizavam.”

“O solo, coberto de matérias enegrecidas e fétidas, lembrando a fuligem, era imundo, pastoso, escorregadio, repugnante! O ar pesadíssimo, asfixiante, gelado, enoitado por bulcões ameaçadores como se eternas tempestades rugissem em torno; e, ao respirarem-no, os Espíritos ali ergastulados sufocavam-se como se matérias pulverizadas, nocivas mais do que a cinza e a cal, lhes invadissem as vias respiratórias…”

“Meus companheiros eram hediondos, como hediondos também se mostravam os demais desgraçados que nesse vale maldito encontráramos, os quais nos receberam entre lágrimas e estertores idênticos aos nossos. Feios, deixando ver fisionomias alarmadas pelo horror; esquálidos, desfigurados pela intensidade dos sofrimentos; desalinhados, inconcebivelmente trágicos, seriam irreconhecíveis por aqueles mesmos que os amassem, aos quais repugnariam.”

“Cada um de nós, no Vale Sinistro, vibrando violentamente e retendo com as forças mentais o momento atroz em que nos suicidamos, criávamos os cenários e respectivas cenas que vivêramos em nossos derradeiros momentos de homens terrestres. Tais cenas, refletidas ao redor de cada um, levavam a confusão à localidade, espalhavam tragédia e inferno por toda a parte, seviciando de aflições superlativas os desgraçados prisioneiros.”

“Às vezes, conflitos brutais se verificavam pelos becos lamacentos onde se enfileiravam as cavernas que nos serviam de domicílio. Invariavelmente irritados, por motivos insignificantes nos atirávamos uns contra os outros em lutas corporais violentas, nas quais, tal como sucede nas baixas camadas sociais terrenas, levaria sempre a melhor aquele que maior destreza e truculência apresentassem.
Frequentemente fui ali insultado, ridiculizado nos meus sentimentos mais caros e delicados com chistes e sarcasmos que me revoltavam até o âmago; apedrejado e espancado até que, excitado por fobia idêntica, eu me atirava a represálias selvagens, ombreando com os agressores e com eles refocilando na lama da mesma ceva espiritual!”

“A fome, a sede, o frio enregelador, a fadiga, a insônia; exigências físicas martirizantes, fáceis de o leitor entrever; a natureza como que aguçada em todos os seus desejos e apetites, qual se ainda trouxéssemos o envoltório carnal; … tempestades constantes, inundações mesmo, a lama, o fétido, as sombras perenes, a desesperança de nos vermos livres de tantos martírios sobrepostos, o supremo desconforto físico e moral – eis o panorama por assim dizer “material” que emoldurava os nossos ainda mais pungentes padecimentos morais!”

“Não sabíamos quando era dia ou quando voltava a noite, porque sombras perenes rodeavam as horas que vivíamos. Perdêramos a noção do tempo.”

“Procurávamos então fugir do local maldito para voltarmos aos nossos lares; e o fazíamos desabaladamente, em insanas correrias de loucos furiosos! ..malditos, sem consolo, sem paz, sem descanso em parte alguma… ao passo que correntes irresistíveis, como ímãs poderosos, atraíam-nos de volta ao tugúrio sombrio, arrastando nos de envolta a um turbilhão de nuvens sufocadoras e estonteantes!”

“Como se fantásticos espelhos perseguissem obsessoramente nossas faculdades, lá se reproduzia a visão macabra: – o corpo a se decompor sob o ataque dos vibriões esfaimados; a faina detestável da podridão a seguir o curso natural da destruição orgânica, levando em roldão nossas carnes, nossas vísceras, nosso sangue pervertido pelo fétido, nosso corpo enfim, que se sumia para sempre no banquete asqueroso de milhões de vermes vorazes, nosso corpo, que era carcomido lentamente, sob nossas vistas estupefatas!”

“Vivíamos na plenitude da região das sombras!… E Espíritos de ínfima classe do Invisível – obsessores que pululam por todas as camadas inferiores, tanto da Terra como do Além; os mesmos que haviam alimentado em nossas mentes as sugestões para o suicídio, divertindo-se com nossas angústias, prevaleciam-se da situação anormal para a qual resvaláramos, a fim de convencer-nos de que eram juízes que nos deveriam julgar e castigar, apresentando-se às nossas faculdades conturbadas pelo sofrimento como seres fantásticos, fantasmas impressionantes e trágicos. Inventavam cenas satânicas, com que nos supliciavam. Submetiam-nos a vexames indescritíveis!”

Por estes relatos, narrados por Camilo Cândido Botelho, que se suicidou em 1954, podemos ter uma ideia do que ocorre.

O vale representa apenas um estágio temporário, onde os suicidas são encaminhados por impulsão natural, até que se desfaçam das pesadas cadeias que os atrelam ao corpo físico, destruído antes da ocasião prevista pela lei natural.

É necessário que o espírito desagregue as camadas de fluidos vitais que existia no corpo físico, o qual possuía reserva suficiente para a existência completa, e no suicida, isto acontece muito vagarosamente.

Após estes longos anos de penúria, o suicida é recolhido e recebe tratamento para que equilibre a mente e o espírito.

Após algum tempo, ele obrigatoriamente deve reencarnar e viver o mesmo drama que o fez cometer suicídio. Haverá o mesmo impulso, os pensamentos de suicídio, porém deverá resistir com todas as suas forças para que possa avançar na sua evolução espiritual.

Bom amigos, este livro é excelente, pois traz muitos conhecimentos.  Nos dois primeiros capítulos o autor conta seu período no Vale. Após isto é resgatado e começa a se equilibrar.

Quem tiver interesse, segue o link para download da Biblioteca Virtual Espírita:

http://bvespirita.com/Memorias de um suicida (psicografia Yvonne do Amaral Pereira – espírito Camilo Candido Botelho).pdf

Um grande abraço,

Fernanda Filippini

 

Print Friendly, PDF & Email
2017-03-18T21:50:35+00:0024 junho 2015|Categorias: Reflexões|Tags: , |

About the Author:

Olá, meu nome é Fernanda, mas me chamam de Nanda, Fê, Fer, etc.. fique à vontade! Tenho 48 anos, nasci e moro em São Paulo. Sou espiritualista e procuro retirar o melhor que cada religião tem a oferecer. Trabalho numa fraternidade espírita há muitos anos. E com o passar do tempo, as pessoas começaram a me procurar para conversarem, desabafar, falar sobre seus problemas. De alguma forma inspirava confiança nelas. Paralelamente fui me aperfeiçoando nas Terapias Holísticas. Minha mediunidade é a intuição. Minha mentora direta é Nahira e a cigana que me acompanha é Lia. Elas estão sempre por perto me orientando e ajudando quando preciso ouvir e aconselhar alguém. Muitas vezes eu mesma me surpreendo com as palavras que falo. Fora elas temos os mentores da Fraternidade que orientam nosso trabalho, pois independente de qualquer coisa, nosso maior desejo é que as pessoas realmente descubram a força que têm dentro de si mesmas.