Tarot

Tarot 2017-03-18T22:53:13+00:00

O Tarô é uma Linguagem Universal que se manifesta através de um baralho de 78 cartas místicas, em que 22 cartas correspondem aos Arcanos Maiores e representam indivíduos que personificam uma particularidade ou um arquétipo específico, e as restantes 56 cartas correspondem aos Arcanos Menores, que interpretam acontecimentos, pessoas, condutas, pensamentos e atividades que fazem parte da vida.

Mais do que um jogo de adivinhação, o tarô é orientativo, mostrando os vários caminhos que podemos seguir.

 

POR QUE JOGAR O TARÔ?

O tarô é uma ferramenta objetiva para autoanálise. O benefício de valor inestimável desse método para a consciência de si mesmo é que as cartas não mentem. É claro, a imagem do tarô como um instrumento para se ler a sorte ainda existe e muitos de nós queremos mesmo saber o que o destino nos reserva. Contanto que não neguemos a responsabilidade por nossas escolhas futuras, dizendo “as cartas decidiram por mim”, o tarô de algum modo incrível, realmente parece descrever os padrões de nosso comportamento. Nós somos exatamente o que o tarô diz que somos.

A ironia é que o tarô reflete o estado do consulente e só espelha o que ele já é, tanto consciente quanto inconscientemente.

Muitas pessoas buscam o tarô por seu significado arquétipo e simbólico em suas vidas. Ele dá a você a chance de desenvolver de fato suas próprias escolhas e jornada na vida, e mais consciência do seu senso de propósito, destino ou vocação.

O tarô é uma das ferramentas mais poderosas para a autoconsciência. Ele é atemporal. O tarô inspira, cria caminhos, orienta e faz uma grande diferença na maneira como você vê sua própria vida e lida com os desafios.

O tarô não só oferece um novo ponto de vista para você fazer suas escolhas, e lhe permite desenvolver confiança em seus instintos e intuição, mas também abre novos horizontes em relacionamentos, questões profissionais e realização
pessoal.
Ao entrar em contato com a energia do momento, você está literalmente entrando em contato com sua própria psique. Isso também levará você a chegar mais perto de sua natureza espiritual e psíquica.

 

COMO O TARÔ FUNCIONA

A escolha aparentemente aleatória de cartas num dado momento é um poderoso indicador do significado daquele momento. É quase omo se as cartas escolhessem você, assim como você escolhe as cartas. Todos nós já projetamos questões inconscientes sobre objetos no ambiente. Nós percebemos a realidade através das lentes coloridas de nossa própria natureza. Da mesma maneira, projetamos nossas questões interiores em cada carta do tarô. No entanto existe uma mensagem em cada símbolo e um significado por trás de cada imagem do tarô. Por sua vez, a carta nos desperta para os poderosos padrões na natureza humana que nos dão respostas e soluções que nós já conhecemos inconscientemente, mas não ousávamos acreditar que era possível.

O tarô funciona porque ele toca as notas que ressoam na sua alma. É a música do seu Eu.

As cartas do tarô simbolizam uma energia arquetípica e, quando faz uma leitura, você estabelece um relacionamento com essa energia. Suas ações, sentimentos e intenções estão sincronizados com esse momento. O tarô revela a energia arquetípica que no momento reflete a sua situação.

 

HISTORIA DO TARÔ

O tarô é composto de 78 cartas que contém os Arcanos Maiores e Menores.
Ninguém sabe ao certo a origem do tarô. Como acontece com muitos mistérios, historiadores, escritores e ocultistas praticamente inventaram várias raízes históricas, modificadas por seus próprios pontos de vista.

Mas é fato conhecido que os baralhos de cartas com números místicos existiram na Índia e no Oriente Médio na antiguidade e  provavelmente foram levados para Europa pelos Cavaleiros Templários, durante e depois das cruzadas à Terra Santa. Também já foi sugerido que os ciganos andarilhos do Oriente Médio levaram o tarô para a Europa durante a Idade Média.

A maioria das fontes revela que os primeiros baralhos de tarô surgiram no início do século XIV. Esses primeiros baralhos parecem ter surgidos de uma combinação do antigo jogo italiano de quatro naipes com um jogo de 22 Arcanos Maiores cuja origem permanece envolta em mito e mistério.
Antoine Court de Gébelin, um linguista francês, padre, ocultista e maçom do século XVIII, estava convencido do significado místico do tarô. Ele afirmava que os 22 Arcanos Maiores eram um antigo livro egípcio, ou um conjunto de tabuletas de sabedoria mística, remanescentes talvez do Livro de Thoth (deus egípcio dos mistérios e magia). Gébelin acreditava que essas misteriosas tabuletas foram levadas para a Europa por magos viajantes (sacerdotes que seguiam a antiga religião persa de Zoroastro), no começo da Idade Média e depois perdidas ou ocultadas. Ele desenvolveu seu próprio baralho usando 78 cartas. Os Arcanos Maiores continham três vezes sete cartas, mais O Louco, numerado como zero, e cada um dos quatro naipes dos Arcanos Menores continha duas vezes sete cartas (dez cartas numéricas e quatro cartas da corte).

Ninguém sabe realmente a origem da palavra “tarô”. Algumas fontes sugerem que seja um derivado do nome do deus Thoth, o deus da magia e das palavras. Outros acreditam que tenha origens hebraicas ou que seja uma corruptela da palavra torah, o livro da lei dos hebreus.

AVANÇOS RENASCENTISTAS

Além do seu uso como caminho místico, o tarô já foi usado na Idade Média como um jogo, conhecido como tarrocchi ou tarrocchino e mais tarde como Trunfo. Ele ainda é usado como jogo na Europa hoje em dia.

As primeiras cartas eram pintadas à mão, e um dos baralhos mais antigos é conhecido como Tarrocchi Visconti Sforza, criado por volta de 1440 para o Duque de Milão. Dentre baralhos muito antigos feitos de quarenta cartas numeradas e 22 Arcanos Maiores, temos um que pertencia a François Fibba, um príncipe italiano exilado, e o Mantegna, desenhado entre 1470 e 1485. Esses lindos baralhos são muito diferentes dos baralhos que usamos agora e encontramos exemplos deles no Museu Britânico.

Outro baralho muito conhecido é o de Marselha, que apareceu no final do século XV. Manteve as 78 cartas. Suas imagens são  intrigantes e poderosas.

O RENASCIMENTO DO SÉCULO XIX

O século XIX viu o ressurgimento do interesse pelo oculto, pela magia e pelo misticismo esotérico. Durante este período, o tarô se espalhou desde sua “casa adotiva” na Europa, para a América do Norte e outras partes do mundo.
Éliphas Lévi, cabalista e filósofo, acreditava que a fonte do tarô estava enraizada no alfabeto sagrado enochiano dos hebreus. Ele também acreditava que o tarô não necessariamente previa, mas sim revelava poderosos acontecimentos aos sábios. As atitudes sociais do final do século XIX criaram uma distinção tendenciosa entre a divinação séria e a leitura da sorte (a qual continua em alguns círculos sociais).

A divinação era aparentemente para intelectuais sérios e elitistas que possuíam sabedoria, enquanto o entretenimento era considerado uma maneira ordinária de fazer dinheiro para mulheres trapaceiras e para as “classes baixas”.

WAITE, CROWLEY E A AURORA DOURADA

No fim do século XIX, o Dr. Arthur Edward Waite desenvolveu e desenhou seu próprio baralho de tarô, único e radical (mais tarde chamado de Tarô de Rider-Waite), com a ajuda da artista Pamela Coleman Smith. Waite era um iniciado na Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), um dos grupos ocultistas mais influentes, fundado em 1988 por William Wynn Westcort, um doutor e mestre maçon, e por Samuel Mathers, um personagem peculiar da sociedade vitoriana britânica. Bebendo de várias crenças esotéricas diferentes, Mathers fundiu o sistema mágico egípcio com os textos medievais de magia e as crenças esotéricas orientais para criar um sistema mágico prático que também incorporasse a Cabala. Em 1903 Waite tomou o controle da ordem e mudou seu nome para a Ordem Sagrada da Aurora Dourada, na tentativa de enfatizar suas associações mais cristãs.

O Tarô Universal é ainda um dos mais populares hoje em dia e integra as imagens originais dos desenhos de Waite. Em vez de retratar os Arcanos Menores como meros símbolos e números (paus, espadas, ouros e copas), ele desenhou cada carta dos quatro naipes com uma imagem simbólica em si.

Na década de 1940, o ocultista britânico Aleister Crowley desenhou o Tarô de Thoth junto com Lady Frieda Harris. Esse mago controverso, conhecido por suas práticas ocultas e vício em heroína, era também um iniciado na Aurora Dourada, mas não era bem quisto pelos outros membros. Em 1907, ele se apossou das idéias dessa ordem e formou sua própria, a Silver Star, para incluir magia sexual e erótica. Crowley escreveu muitos livros sobre várias práticas e idéias de ocultismo, e nos anos 60, houve um imenso ressurgimento do seu trabalho. Escritos de maneira inteligente, seus livros formam os primórdios da abordagem psicológica da magia e do ocultismo.

O tarô de Crowley engloba simbolismos egípcios, gregos, cristãos e orientais, assim como muitos elementos de outros caminhos esotéricos. Crowley acreditava que o tarô era uma inteligência, uma força viva e uma chave para o mundo arquetípico do eu interior.

Desde então, centenas de livros de tarô e baralhos foram escritos e desenhados. O tarô se tornou mais do que um instrumento para se ler a sorte. Ele é uma ampla viagem de autodescoberta, um misterioso e antigo simbolismo de tudo o que somos.

 

Referência: “A bíblia do Tarô”.

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